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Golpes e Invasões em Condomínios: Como Acontecem e Como Evitar

Por: Ellen Matos

A segurança condominial deixou de ser apenas uma preocupação operacional da portaria e tornou-se uma responsabilidade coletiva. Com a evolução da tecnologia e das práticas criminosas, golpes e invasões em condomínios têm se tornado cada vez mais sofisticados, explorando falhas humanas, brechas nos procedimentos e até a boa-fé dos moradores.

Mais do que portas trancadas, segurança é prevenção, informação e colaboração entre moradores, síndicos e corpo funcional.

Como os golpes e invasões acontecem:

Criminosos utilizam diversos métodos para acessar áreas internas do condomínio. Os mais comuns incluem:

1. Golpe do falso entregador ou prestador de serviço

O criminoso se passa por entregador, técnico de manutenção ou funcionário de empresa conhecida. Utiliza crachás falsos ou embalagens para transmitir credibilidade e tenta entrar sem autorização formal.

2. Acesso por brecha de morador ou visitante

Muitas invasões ocorrem quando alguém “pega carona” na entrada de um morador distraído, no portão da garagem ou em portas que deveriam permanecer fechadas.

3. Engenharia social com a portaria

Criminosos podem ligar para a portaria alegando serem parentes, amigos ou prestadores de um morador, tentando burlar o processo de identificação. A pressão e a urgência são as principais armas.

4. Vazamento de códigos e senhas

Quando moradores compartilham seus códigos de acesso, QR codes ou senhas com terceiros, abrem uma brecha que pode ser explorada indevidamente sem deixar registro claro.

5. Acesso por obras e reformas

Funcionários terceirizados entram e saem constantemente, e quando não há controle rígido, isso aumenta o risco de circulação de pessoas não autorizadas.

Consequências para o condomínio

Uma invasão pode gerar prejuízos materiais, riscos físicos e sensação de vulnerabilidade. Além disso, problemas recorrentes podem afetar:

  • Percepção de segurança dos moradores

  • Valorização do imóvel

  • Responsabilidade civil do condomínio em casos específicos

  • Necessidade de reforço emergencial de segurança, trazendo custos inesperados

A prevenção começa na consciência coletiva e na adoção de protocolos claros.

1. Confirmação rigorosa de visitantes e prestadores

A portaria deve sempre confirmar com o morador, por telefone ou aplicativo, antes de liberar qualquer acesso.

2. Orientação constante aos moradores

Campanhas internas devem reforçar que:

  • Nunca se deve liberar a entrada de desconhecidos.

  • Não se deve “segurar o portão” para alguém entrar.

  • Códigos e senhas são pessoais e intransferíveis.

3. Identificação profissional dos prestadores

Exigir crachá, nome da empresa, ordem de serviço e registro prévio antes de autorizar entrada.

4. Treinamento periódico da equipe

Porteiros e vigilantes precisam estar capacitados para reconhecer sinais de golpes e aplicar corretamente os procedimentos de segurança.

5. Monitoramento eficiente

Câmeras, controles de acesso, cadastro digital de visitantes e fechaduras eletrônicas reduzem significativamente riscos.

6. Normas claras no regulamento interno

O condomínio deve ter regras atualizadas sobre acesso, entregas, obras e circulação. A clareza reduz falhas e dúvidas operacionais.

A segurança é coletiva

Nenhuma torre, por mais moderna que seja, estará totalmente protegida se os moradores não colaborarem com os protocolos. Uma simples atitude — como verificar quem está sendo autorizado a entrar — pode evitar grandes transtornos.

Segurança condominial é um conjunto: tecnologia, procedimentos e comportamento responsável. Quando cada morador faz a sua parte, toda a comunidade vive com mais tranquilidade.

Por: Ellen Matos OAB/ES 38.459

@ellenmatosadvogada

@emassessoriacondominial

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